PESQUISAR 0800 605 1100

Atuação da Terapia Ocupacional na Assistência Domiciliar

0

Introdução:

A assistência domiciliar consiste em prover a atenção à saúde a indivíduos com doenças crônicas de qualquer idade, que sejam dependentes de assistência em seu domicílio, proporcionando condições para tratamento efetivo (ALBUQUERQUE, 2003). CARLO; BARTALOTTI e PALM (2004) citam que o processo de adoecimento e de hospitalização pode representar uma ruptura significativa do cotidiano e uma desestruturação dos papéis sociais.

Durante um processo de hospitalização prolongado, há alterações nos hábitos de vida, que acabam privando o individuo do convívio com seus familiares, e a restrição da sua rotina habitual. Assim sendo, receber assistência à saúde no próprio domicílio permite, em alguns casos, a retomada da rotina diária da pessoa dependente e seus respectivos familiares, em um ambiente mais acolhedor e familiar.

Essa assistência visa à promoção, manutenção e/ou restauração da saúde da pessoa dependente, com o objetivo de favorecer sua independência e preservar sua autonomia (RODRIGUES e ALMEIDA, 2005). A disfunção ocupacional de acordo com Mello e Mancini (2007) é a dificuldade que um indivíduo pode ter para a realização de suas atividades, sendo neste ponto que o terapeuta ocupacional encontra o seu principal alvo de intervenção.

Segundo Kane; Ouslander e Abrass (1985), os terapeutas ocupacionais se detêm nas capacidades funcionais, especialmente nas que se relacionam com as atividades diárias. Mesmo quando a mobilidade e as funções permanecem prejudicadas, as terapêuticas ocupacionais podem tornar a vida mais fácil para esses pacientes.

Objetivo:

Descrever os benefícios deste acompanhamento e as possibilidades terapêuticas no domicílio.

Metodologia:

Trata-se de um relato de assistência e revisão bibliográfica de livros e artigos científicos acerca da temática. Portanto, foi realizada análise descritiva da atuação da terapia ocupacional em âmbito domiciliar, através da avaliação de artigos científicos na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), indexados nas bases de dados LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e SCIELO (Scientific Electronic Library Online) no ano de 2013. Foram utilizados os seguintes descritores validados pelos Descritores em Ciências da Saúde (Decs): “terapia ocupacional”,  “assistência domiciliar”, “idoso” separadamente e unidos.  Identificou-se um total de 1073 estudos, sendo 933 na base de dados do LILACS e 140 no SCIELO. Desses 801 eram em português, 741 eram artigos científicos. Como critérios de inclusão foram utilizados estudos do tipo artigo no Idioma Português. Como critérios de exclusão foram considerados artigos que não tinham relação com o objetivo proposto, aqueles que se repetiam nas bases de dados. Os artigos encontrados foram analisados quanto ao grau de relevância para o trabalho, através de uma leitura exploratória e seletiva, estabelecida no primeiro contato com os textos. Posteriormente, foi realizado fichamento destes estudos a fim de serem extraídos conteúdos que respondessem aos objetivos propostos e contribuíssem para discussão do tema.

Resultados e discussão:

Os estudos que compuseram a amostra demostraram que a Terapia Ocupacional é importante para o retorno à vida ativa, melhoria na qualidade de vida, ganho de independência e resgate da história do indivíduo, que interfere positivamente em seu quadro clínico. Sendo que o espaço terapêutico é a casa do paciente, tal fato amplia o olhar para a realidade do mesmo e de seus cuidadores.

Os avanços, perdas ou estabilização dos quadros são mensurados por instrumentos quantitativos e qualitativos, como Mini-exame mental (Mini-mental), índice de Barthel, Índice de Katz, avaliação do histórico ocupacional e avaliação de ambiente.

Os objetivos desta intervenção envolvem avaliar, manter e recuperar a independência, função motora, sensorial e percepto-cognitiva, o desempenho em atividades de vida diárias e de vida prática, capacidade para resolução de problemas e o lazer.

Por meio de orientações, indicação da tecnologia assistiva, estimulações, treino, execução de atividade e jogos o indivíduo é motivado a engajar em seu tratamento, retomando suas atividades e, assim permitido um aumento em sua qualidade de vida.

Durante a assistência o enfoque da intervenção pode ser direcionado para os componentes de desempenho que se apresentam deficitários e que estão dificultando a realização das atividades do indivíduo (força muscular, sensibilidade, memória, atenção, habilidades sociais e outros) ou trabalhar o regate de uma atividade do seu histórico ocupacional. Para isso, o terapeuta ocupacional pode fazer uso de diversos recursos e atividades, tais como artesanais, lúdicas, artísticas, produtivas e funcionais. As atividades funcionais ou coadjuvantes são procedimentos, tarefas ou exercícios que favorecem as funções do membro superior e preparam o indivíduo para a realização posterior de outra atividade mais significativa (ANTONELI, 2003, MELLO, 2007).

Os resultados obtidos visam ganho de independência e autonomia nas atividades de vida diária e de vida prática, melhoria dos aspectos emocionais, sociais e comportamentais bem como estimulação da comunicação, das funções motoras finas dos membros superiores e as funções percepto-cognitivas afetadas.

Conclusão:

Os pacientes submetidos à abordagem da terapia ocupacional domiciliar apresentam importante melhora da qualidade de vida. O terapeuta deve enfocar atividades que propicie o resgate da história do indivíduo, pois essas interferem positivamente em seu quadro clínico. Além disso, observa-se que o espaço terapêutico, domicílio, amplia o olhar para a realidade do paciente e de seus cuidadores.

O acompanhamento domiciliar favorece o resgate de atividades do histórico ocupacional do paciente, ganho de independência e autonomia nas atividades de vida diária e de vida prática, trabalha aspectos emocionais, sociais e comportamentais e estimulam à comunicação, as funções motoras finas dos membros superiores e as funções percepto-cognitivas afetadas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Albuquerque SMRL. Qualidade de vida do idoso: a assistência domiciliar faz a diferença? São Paulo: Casa do Psicólogo; 2003.
2. Rodrigues MR, Almeida RT. Papel do responsável pelos cuidados à saúde do dependente no domicílio: um estudo de caso. Acta paul. enferm. 2005;18(1):20-4.
3. MELLO, M.A.F.; MANCINI, M.C. Avaliação das atividades de vida diária e controle domiciliar. In: CAVALCANTI, A.; GALVÃO, C. Terapia Ocupacional: fundamentação e prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007, p. 49-54.
4. CARLO, M.M.R.P.; BARTALOTTI, C.C.; PALM, R.D.C.M. A Terapia Ocupacional em reabilitação física e contextos hospitalares: fundamentos para a prática. In: CARLO, M.M.R.P.; LUZO, M.C.M. Terapia Ocupacional: reabilitação física e contextos hospitalares. São Paulo: Roca, 2004, p. 3-28.
5. MELLO, M.A.F. et al. Processo avaliativo em Terapia Ocupacional. In: CARLO, M.M.R.P.; LUZO, M.C.M. Terapia Ocupacional: reabilitação física e contextos hospitalares. São Paulo: Roca, 2004, p. 74- 98.
6. KANE, R.L.; OUSLANDER, J.G.; ABRASS, I.B. Imobilidade. In: KANE, R.L.; OUSLANDER, J.G.; ABRASS, I.B. O essencial em Clínica Geriátrica. São Paulo: Andrei, 1985, p. 153-175.
7. ANTONELI, M.R.M.C. Queimaduras. In: TEIXEIRA, E.; SAURON, F.N.; SANTOS, L.S.B.; OLIVEIRA, M.C. Terapia Ocupacional na Reabilitação Física. São Paulo: Roca, 2003, p. 534-550.
8. ARRIAGADA, S.; BACCO, J.L.; CARRASCO, P. Inmovilización Prolongada. Reumatologia, v. 13, n. 2, p. 37-47, 1997.

Últimos Posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

CaptaMed © Todos os direitos reservados.